A minha caixinha de memórias

do fundo da minha alma até ti


aventuras de 2007

 

um resumo, a clicar para ver

um resumo, a clicar para ler

(texto da S)

 

a parte II, a clicar para ver

a parte II, a clicar para ler

(texto do JP)

 

História de Natal – o nosso cartão de Boas Festas 2007

 

Um determinado malfadado escreveu um dia no seu blogue uma carta ao Pai Natal, onde pedia uma bicicleta dobrável, simplesmente genial! Já há muito que não acreditava nessas histórias do Pai Natal, mas a carta ali ficou online durante umas semanas.

Malfadado como era, recebeu nas vésperas do Natal a notificação oficial de que tinha sido condenado num tribunal de desajuízes supremos, porque tinha cumprido a lei, “mas pouco” porque, com efeito, para essa gentinha parasiticamente chata, se havia um máximo, mas não um mínimo, a cumprir de tarefas é porque essas tarefas deviam ser executadas de forma expressiva.

Contou essa má notícia à duendinha, que também ficou triste e preocupada. O malfadado lá lhe disse para não se preocupar, pois alguma solução se acharia (para preocupado e triste já bastava ele!)

A duendinha pergunta-lhe se, naquele momento, haveria alguma coisa que pusesse o malfadado feliz?

Ele pensa uns segundos e responde: “Ficava feliz se, neste momento, me dissessem que afinal o Pai Natal sempre existe!”

A duendinha faz uma pausa e diz: “Mas o Pai Natal existe! Vê ali debaixo da cama o que está embrulhado numa manta.”

E ali estava a bicicleta dobrável, simplesmente genial!

 

 

O brilho do olhar do malfadado reapareceu, o sorriso renasceu e uma renovada força voltou a animar a sua vida. A duendinha, do alto da sua poltrona, rejubilou com a cena natalícia.

 

Feliz Natal e um óptimo Ano Novo

 

 
acompanhar leitura com
Vesa-Matti Loiri (Jean-Pierre Kusela) - Naurava kulkuri
 
Sábado, Dezembro 01, 2007

MOTARDS EM FARO 2007


Um tema que ficou por escrever neste blogue, malfadado-o-contestatário, em Julho, foi a Des'locaSão a Faro 2007, a maior concentração Motard que se realiza em Portugal. Já estão as fotos no meu álbum há muito tempo, mas prometi à São que contava aqui como foi o evento, visto por mim e vivido por todos nós, os que ali nos deslocámos nesta aventura colectiva. A ideia e a viagem estão descritas num texto no site dela.

É verdade, ao aproximarmo-nos já era uma confusão de trânsito. Uma operação policial logo à chegada a mandar parar todas as motas, mesmo para chatear e pouco pedagógica, mas lá passou a caravana das duas side car e do Renault 9, que já tinha vindo a ser filmada desde a Estação de Serviço de Faro, ainda na Auto-Estrada, pela equipa da TVI, que preparava uma reportagem da Des'locaSão Faro 2007. Mas essas filmagens a polícia não viu, senão eram capazes de nos admoestar, ainda passou um carro da Brigada, mas foram condescendentes.

O que mais me impressionou nesta Concentração foi a organização. É verdade que os dirigentes do Moto Clube de Faro foram de uma enorme solidariedade, de um coração sem tamanho, de uma sensibilidade inesperada, mas percebemos que a atenção que foi dada à nossa aventura e à São transbordava para todos os elementos da organização. Assim que chegámos à periferia da Concentração tínhamos um elemento da Direcção à nossa espera, que com uma moto 4 foi fazer de batedor, levando-nos directamente para a entrada de honra, onde éramos aguardados pelo Presidente da Direcção do Moto Clube, e outros elementos da Direcção, que pessoalmente nos desejaram uma boa estadia, nos entregaram as papeladas todas referentes à inscrição e ainda um livre-trânsito para podermos circular com o carro dentro do recinto. Na zona VIP estava também o centro de imprensa, por isso foi ali mesmo que a TVI captou as imagens para o final da reportagem, e depois os jornalistas de outros órgãos de informação que ali estavam interessaram-se pela nossa aventura e fizeram também a reportagem.

Logo no dia da chegada fomos fazer uma visita de reconhecimento, ver o local onde era a nossa base, onde a São poderia ficar descansada com a sua máquina ligada à electricidade. Era um stand onde ficámos a conhecer novos amigos, o David e a sua família, orgulhosos da sua exposição de motociclos todos transformados, uns maquinões! Também vendiam um licor alemão, à base de ervas, um belo xarope!
As noites eram passadas em casa de uns amigos que nos ofereceram abrigo, afastados da confusão, para recarregar baterias, pertinho de São Brás de Alportel. Uma casa muito bonita, acolhedora e a transpirar simpatia.

Ou seja, entre as viagens e um descanso merecido, acabámos por passar as tardes e princípio de noites na Concentração. Logo no 2º dia ia ser inaugurado um monumento ao motard, e nós dissemos que era boa ideia lá ir, depois do convite que nos fizeram. Mas só quando já íamos em viagem e que nos telefonaram para saber se demorávamos muito (porque já íamos atrasados), é que percebemos que estavam todos à nossa espera para dar início à inauguração. Aí vamos nós a acelerar, mas para azar andámos à procura da rotunda errada, e por isso chegámos super atrasados. Todos à nossa espera... uma vergonha!

Com toda a cobertura jornalística do evento, lá apareceram mais jornalistas e a SIC aproveita e pede para fazer uma entrevista em directo para o noticiário da hora de almoço. E foi assim que muitos dos nossos amigos nos viram, na TVI ou na SIC, recebemos sms, até julgaram que eu também era motard, e alguns amigos que não víamos há anos foram lá para nos verem. Foi uma verdadeira festa, dentro dessa outra festa que é a Concentração, estar com amigos de há longa data e com novos amigos, alguns que viram na TV, outros que souberam da iniciativa e até contribuiram para ela, e que depois ali foram para nos conhecermos pessoalmente. Para a jornalista da SIC, a nossa presença ali e o tomar conhecimento da nossa aventura, fizeram com que a reportagem fosse diferente do que é todos os anos, porque acaba por ser sempre um pouco repetitivo.

Mas para nós foi mesmo uma novidade, tudo muito tranquilo, mas sempre em ambiente de festa, tudo muito bem organizado nos vários sectores, deram umas refeições pré-embaladas, nada de especial, mas fica sempre bem, pena ver depois tanta comida desperdiçada.

Por falar em desperdício, no final da Concentração, com a indicação da Rosina, que fez parte da nossa aventura, andámos na recolha de materiais abandonados, tendo recuperado uma mala térmica nova, alguns colchões insufláveis, tendas, pacotinhos de batatas fritas, eu sei lá! Carregámos o carro, tipo carro de ciganos, e lá nos despedimos desta aventura, que recomendo mesmo a quem não é motard, pelo bom ambiente que ali se pode viver.

Tenho fotos minhas no meu álbum publicado na net, basta clicar aqui!
Para quando uma concentração de utilizadores de bicicleta? Aí lá teríamos que inventar uma maneira de levar a São, talvez na sua cadeira de rodas atrelada a uma bicicleta!

escrito por João Paulo Pedrosa

 

 

acompanhar a leitura com

Vesa-Matti Loiri (Jean-Pierre Kusela) - Naurava kulkuri

 

 

Julho de 2007

(fotoreportagem na Galeria pública de João Paulo)

 

 

 

 

Como andei

 "ao colinho"

de uma mota

 

 

 

 

 

 

Era uma vez um rapaz muito simpático, alto e espadaúdo, a estudar em Coimbra (há muitos, muitos, anos) que tinha o nome muito comprido de José Alberto e os amigos de lá decidiram dar-lhe um nome mais carinhoso e pequenino de José Albertito. Sempre foi o Tito lá para a família dos amigos de Coimbra, mas como, de cada vez que me aparece à frente, a minha vida treme, e como é um motard genuíno e como também há o Tito da minha irmã Sári, chamo-lhe carinhosamente “o meu TerramoTito”!

O meu TerramoTito convidou-me para um passeio de mota, o ano passado, e eu guardei o convite na minha caixinha de memórias, com um sorriso esquecido…

 

Voar com um 'TerramoTito'

 

Doce São,

 

Provavelmente uma parte da minha imaginação vive dentro de ecrãs - sejam eles ligados a computadores, ou a consolas... não sei.

Pode ser que - por ter começado a ver cinema muito cedo - uma parte de mim acredite que posso entrar para muitos dos filmes que vejo, habitar no condutor das simulações que eu adoro, voar, andar a mais de 300 à hora, salvar o mundo ou mesmo convidar-te para passear.

Por isso, desta vez, tento levar-te comigo a sentir o vento na cara, a ouvir o eco do motor dentro de um túnel, a sentir desfilar na cara ora luz, ora sombra.

Inclina-te nas subidas e descidas, nas curvas e contra-curvas... deixa-te ser embalada. Ai, se pudesse também dar-te o cheiro e o toque do ar, ora meigo, ora bruto, dependendo da velocidade. De um simples roçar dos pêlos do braço, àquela forma de asfixia que se enfrenta um bocadinho depois dos 100 à hora. Parece mesmo que não vamos conseguir inspirar nada, com tanto ar a esmagar a nossa ânsia de respirar. Pode ser titânica essa luta que nos empurra para trás.

Se não gostares do percurso de montanha, entre o chilrear dos pássaros e os cumprimentos das árvores que abanam os ramos à nossa passagem, fecha os olhos e corre para a beira-mar. Sente a temperatura amena de uma marginal ao fim de tarde ou ao raiar do dia e 'sente o passeio'.

É... desta vez convido-te para um passeio de mota... e, para ser mais fácil, vê os apontamentos em http://www.touristtrophygame.com/?locale=pt_PT. Entra, salta a intro (se quiseres), e escolhe a Mota 03... Não tenhas medo que anda tão pouco que quase não te vai tirar do sítio - embora eu espere que te possa levar bem longe.

Beijos,
joséalbertosilva

a.k.a. Tito

 

in http://www.saoveiga.com/tomasumcafezinho.htm

 

Depois, um dia perto do Natal, disse-me pelo Messenger:

 “É que estou sem massas, mas um dia destes alugo um sidecar e levo-te a passear pela Arrábida! Estive a ver preços: 1 hora e 30m fica a 85€, para duas pessoas! E deixam-me conduzir! Portanto, é possível!”

 

Ai, querido Tito, nesse dia desejei ter 850€ para te dar para a mão e dizer: “Toma, pá! Vamos dar 10 voltas seguidinhas, com a famelga e amigos, e tu é que conduzes, pronto!”

 

De repente, a 27 de Junho, uma mensagem do TerramoTito: “Queria levar-te de sidecar à Concentração de Faro! Achas que aguentas?”.

E eu perguntei ao meu Amor: “Estarás sempre ao meu lado, para o melhor ou para o pior, com o nosso R9carro-hospital-cozinha-wc de apoio?”.

E o JP, que é ciclista, e abomina o Algarve e o Alentejo no Verão, Faro e viajar para Sul no Verão, qualquer tipo de motas, barulhos de escapes de motores, Concentrações, e odeia calor, carros, o mês de Julho, cerveja e estradas…respondeu-me:

 

“Ok, Amor, eu aguento!”

 

Para relembrar, a todos vocês o que, nas duas semanas seguintes se passou, criei um documento, um .pdf, que ilustra como do pouco, do nada, se fez…tudo e tanto!

Como?! Com muuuuuuuuuuitos amigos…só!

 

ora clica aí

 

http://www.saoveiga.com/misSaoFaro2007-antes.pdf 

 

 

 Ideologies separate us.

Dreams and anguish bring us together.

Eugène Ionesco (1909 - 1994)

 

 

 

Deuses! De repente era a véspera! Comecei a acordar para o sonho, quando a Tisabel mandou duas dúzias de rissóis, dos dela, para a viagem e a minha mãe meteu um enorme Rocambole, acabadinho de fazer, num tupperware!

Mas ainda havia que passar por Arruda dos Vinhos para conhecer os Mocas (o Mário e o Carlos) que, em amena cavaqueira, nos instalaram nos capacetes um sistema de comunicação topo de gama, usado na Fórmula 1, que transformou os meus fraquinhos sussurros em ruidosos, e vivos, gritinhos de pendura-mulher-histérica:“Ó Tito, já passaste o cruzamento!”.

 

Como se estava com a mão na massa, criou-se uma ligação directa e segura, do meu Aparelho de Respiração Assistida, à bateria da mota, com uma

 

”ficha-isqueiro-alternador-transformador-de-220volts/12volts, que alimenta a máquina e vai carregando a bateria de autosuficiência do aparelho. E atenção que o azul é o positivo e os bornes apertam-se assim, que às vezes não fica bem ligado e um gajo dá cabo da coisa! Costumamos, é, fazer aqui, na oficina, uns belos churrascos! Não! Esse é o negativo! O melhor é anotar tudo num papel, não?”

 

Lá se foi o meu efeito Fórmula 1! Estou nas mãos dos meus queridos técnicos portugueses…

 

No dia seguinte, já em Fernão Ferro, em casa da Sofia e do Nicolau, o grupo, o staff, decidiu que havia que fazer uma reuniãozita e um testículo (i.e. pequeno teste) ao veículo. Estes briefings revelam-se sempre muito esclarecedores porque

 

o Tito descobriu que já conhecia a Sofia de Almada;

o Gonçalo descobriu que é vizinho da frente da minha irmã Zári, ali no Bº do Alvito, onde

a Rosina descobriu que podia deixar o carro e o pessegueiro, que já não cabe no vaso

e eu descobri, finalmente, a maravilha que é comer sushi (fresquinho, caseirinho e confeccionado pela Rosina, ali mesmo)

enquanto pensávamos nas “voltas que a vida dá” e nunca mais dávamos a tal volta de testículo...

 

Ah! E conhecemos o Carlos Magalhães, o Camané, amigo do Tito, que nos acompanharia com o seu sidecar! Para mim, ficou logo a chamar-se O Magalhães, mais condizente com a sua vida de aventureiro, de olhar misterioso, de fumador de cachimbo e sorriso sereno de Corto Maltese.

 

No momento da partida, os maus-agoiros ficaram cortados na fotografia (o Tito quase tinha queimado o pé direito ao trazer a moto de Massamá porque o espaço do apoio era minúsculo para o seu 45 de bota, mas já estava recuperado do susto; o sistema inventado à última para segurar a minha cabeça só provocou uma brava discussão entre mim e o meu Amor; e as vozes dos que previam insolações e desidratações, nesta viagem-passeio, encolheram-se no ar fresquinho da madrugada, no momento em que vestimos camisas, camisolas, casacos e blusões).

Éramos sete, exactamente os que eu queria!

A Rosina, “a cinquentinha” é o meu alter ego. Adivinha os meus desejos e pratica todas as loucuras por mim, sem eu sequer precisar de pedir. Chama-se Rosina por causa d’O Barbeiro de Sevilha e “cinquentinha” porque há uns anos foi sozinha para a Concentração de Faro na sua 50cc.!

Eu tinha também que trazer o Gonçalo que tem sempre piadas novas que me fazem rir às gargalhadas e o Tito trouxe a sua amada Rute porque não passa sem ela e ela não passa sem ele.

 

Às 7h30m da manhã, do 19 de Julho, 1 hora depois da hora prevista, 2 horas depois do JP ter acordado e 5 horas depois de termos adormecido, que a ansiedade também quis vir, vestimos as T-shirts da Des-loca’São, fizemos a chamada geral e ouvimos a respostas de todos:

 

Eia, vamos! Estamos aqui! – gritaram, bem alto,

 

o Mário Nelson, o Carlos Castro, o Diogo Marques, o Luís Cunha, o Zé Amaro, o Brasa, o Guerero, o Nelsinho, o Fernando da Rosina, a Guida e a Zári Veiga, a Paula Rodrigues, as Susanas, o Quim Ferreira, a Alexandra Cunha, a Graça Amaral, a Elisabete Oliveira, a Zé Henriques, a Andreia Amaral, o Pedro Dias, o João Carlos, a Diana Nascimento, o Jorge e o Armindo Figueiredo, o Tomaz, a Fátima Sousa, o António Farropas, a Céline, a Ludovina Amaro, a Ju Jaleco (aniversariante nesse dia), a Salete Afonso, o José Barroso, a Graça Garcez, o Pedro Santos, a Anucha, o Márcio Green Beer, o Afoganso, o Ventura e o Paulo, o Nakaias Kedoy y su Maria, o Hugo Vstar, o Rui Leonix, o Jomaneco e o Miguel Castro, o Lu Strom, o Inácio, o André, o PDCouto, o Nuno Golias, a Paula (FZX), o Fernando Milagaia, a Carla cb7, o Ângelo Lopes, o Paulo Costa, o Ricardo Mendes, o Rui Pessoa, o Walter Gomes, a Joana Mercier e a Marta.

 

 

 (o vosso amor à camisola)

 

Sabem daqueles passeios em que saímos e dizemos: “Vou dar uma volta, já venho!” e perdemos imediatamente a noção do tempo e vamos parar, por exemplo, a Faro, passadas umas dez horitas do mais puro gozo?

É que, de sidecar à estonteante velocidade de 70-80 Km/h, sente-se

no corpo, nos olhos, na pele, na cara, na boca,

o vento, a paisagem, os cheiros, os sons, os sabores.

Foi como voltar a correr ou a andar de bicicleta! Ah, saudade!

Não conseguia parar de sorrir! Em cima disto tudo, juntem-lhe a sensação de estar sentada naqueles caríssimos cadeirões de massagens que experimentamos nas feiras da saúde e que só abandonamos por vergonha de estar a abusar!

E o percurso? Só mesmo para apreciadores:

Olha Outão e Setúbal, onde nasceu e viveu o JP. Vamos apanhar o ferry-boat para Tróia e tentar ver golfinhos. Que dia lindo! Falamos, falamos, falamos sem parar, nestas paragens. A Rosina empasta-me as bochechas de protector solar. Bebo um leitinho com chocolate. Temos que encontrar um café, do outro lado, claro! Ouviram o sr. dos bilhetes dizer: “Olha, o da frente levava o puto com oxigénio!”? Ajeita-se a fixação da cabeça. Está tudo bem? Fantááástico!

Olha o mar, o oceano. É a costa vicentina e viva Gil Vicente e o Teatro. O Magalhães vai à frente, a fazer de batedor…de cafés abertos àquela hora! Eu olho as dunas, as praias, navegando nestas estradas antigas, sentindo no corpo todo, mas mais no rabo, as ondas revoltas do alcatrão deformado, na berma, pelas raízes dos pinheiros mansos. Estás bem? Eu, fantástica! Isto também é para doer…e a todos!

 

Café à vista! Falamos, falamos, falamos! E agora, qual é o caminho? O Magalhães, secundado pelo Gonçalo, agarrados ao mapa de 1987 do JP, iam decidindo o percurso, de improviso, jazzisticamente, como eu gosto, e nem precisavam de comunicar aos outros, que a gente confia, e os rissóis estão bons e o JP quer é uma mercearia para comprar pepinos e sal, para a salada, e fruta para o picnic e os olhos e a simpatia da Nilse deste café é uma coisa para falar, também. e não conseguir esquecer...

 

Olha Porto Côvo, olha a Ilha do Pessegueiro! Paramos, tiramos fotos, ajeitamos a cabeça da São. Vamos! Queremos comer lá para Ourique e ainda hoje! Mas este passeio é um vício!

 

Não acredito! Um bicharraco imenso está a tapar-me a visão toda do lado esquerdo. Está aí há uns 30 segundos pousado nas fitas da minha máscara. Tenho que controlar-me! Não quero fazer parar todo grupo por causa de um bicho meio-morto…

mas está dentro da viseira! e está a mexer-se! parece que vejo listras amarelas! uma abelha, um vespãão enoooorme! e se me pica e eu tenho, sei lá, um choque anafilático, um choque térmico, com desidratação e insolação…

“Tito, Tito, Tito, pára, pára! tsk, tsk, tsk!”

 

      

 

Fiquei feliz porque o bichinho sobreviveu e tiraram-lhe muitas fotos! Para que vissem que não fui exagerada!

 

Ó Tito! Que “pi-pi-pi-pi” é este que se ouve de vez em quando? Também ouves? Fixe! Não estou maluca! Olha, outra vez! Já parámos 2 vezes, o JP diz que pode ser o isqueiro com mau contacto, da vibração! Ó pá, começo a preocupar-me! Lá está outra vez o som! Parece um alarme! Será que o meu Ventilador sobreaqueceu e, sei lá, deu-lhe um choque térmico, uma insolação?

 

Parámos por quatro vezes até se descobrir que o som era de um lembrete do aniversário do Marco Moura, no telemóvel do Tito!

 

Chiça, que susto! Quem é o Marco? Atenção, que também é motard e será um futuro vencedor de um Óscar em pós-produção do Cinema! Ah, bom! Assim, está bem! Ok!

 

Parámos para picnicar em Ourique. O JP, eterno gourmet, achou que o molho de tomate da minha mãe tinha um sabor peculiar, mas quando descobriu que eram fermentações do calor já todos tinham comido!

 

Eu? Passar para o carro, para descansar? Creeeedoo! Sinto-me fantástica! Não, nunca! Vão vocês! E com esta aragem morna só apetece andar de mota, para refrescar!

 

Espera, estou a acordar! Estamos a chegar a Faro! Não! Não! Não quero acordar! Pááára Tito, vamos dar a volta para trás, aí na rotunda do Aeroporto!

 

Mas...mas…mas! É a Concentração! Tanta gente, comigo! Tantos que vieram connosco, tantos que nos esperavam, tantos que me olharam com uns olhares tão…tão profundos! São os motards! Tantos! E entendem o meu sorriso e sentem a minha alegria! Que recepção!

 

Ó São, até parece que é a primeira vez, na tua vida, que vês uns motoqueiros!?

 

Não! Mas foi a primeira vez que lhes vi a alma e senti-me um dos deles, de muitos, meus irmãos de sangue, companheiros de estrada, de vida!

 

AbraSão